Franquia é uma das primeiras palavras que aparecem na hora de cotar um seguro auto, e também uma das que mais geram dúvida. Ela influencia diretamente o valor do prêmio (o preço pago pelo seguro) e também o quanto o segurado vai desembolsar se precisar acionar a apólice. Entender como ela funciona antes de contratar evita surpresa no momento em que o carro está na oficina.
O que é a franquia do seguro auto
Franquia é o valor que o segurado assume pagar em um sinistro com culpa própria, antes de a seguradora arcar com o restante do reparo. Ela existe para dividir o risco entre a seguradora e o segurado, e é justamente esse compartilhamento que permite que o prêmio do seguro seja menor do que seria se a seguradora cobrisse cada detalhe sozinha.
Na prática, se o carro bate e o reparo custa um determinado valor, o segurado paga a franquia estabelecida na apólice e a seguradora cobre o restante. O valor exato da franquia varia conforme o veículo, o perfil do condutor e a seguradora escolhida, e fica descrito no contrato assinado no momento da contratação.
As condições contratuais mínimas de uma apólice de seguro, incluindo a forma como a franquia deve estar descrita, seguem as regras gerais estabelecidas pela Resolução CNSP nº 382/2020, que trata da elaboração dos contratos de seguro no Brasil. Isso significa que a franquia contratada precisa estar registrada de forma clara na apólice, não apenas informada verbalmente na cotação.
Franquia reduzida, normal e majorada: qual a diferença
A maioria das seguradoras trabalha com três faixas de franquia, e cada uma delas altera o equilíbrio entre o prêmio mensal e o valor a pagar em um sinistro:
- Franquia reduzida: o valor mais baixo a desembolsar em caso de sinistro com culpa. Como o segurado assume menos risco, o prêmio do seguro tende a ser mais alto.
- Franquia normal (ou básica): o meio-termo entre custo do seguro e valor a pagar no sinistro. É a faixa mais comum entre os condutores que buscam equilíbrio.
- Franquia majorada: o valor mais alto a desembolsar em caso de sinistro. Em compensação, o prêmio do seguro costuma ser o mais baixo entre as três opções.
Cada seguradora define seus próprios valores e regras para essas faixas, então o mesmo rótulo (por exemplo, “franquia reduzida”) pode representar valores diferentes de uma companhia para outra. É por isso que comparar apenas o nome da faixa, sem olhar o valor em reais descrito na proposta, pode levar a uma decisão equivocada.
Quando compensa cada tipo de franquia
Não existe uma resposta única sobre qual franquia é a melhor: depende do perfil de uso do veículo e da capacidade do segurado de arcar com um desembolso inesperado.
A franquia reduzida costuma fazer mais sentido para quem prefere previsibilidade e não quer se preocupar com um valor alto caso precise acionar o seguro, mesmo pagando um pouco mais todo mês. Já a franquia majorada tende a compensar para quem dirige com cautela, tem baixo histórico de sinistros e prefere pagar menos no dia a dia, assumindo o risco de um desembolso maior se algo acontecer.
Vale lembrar que a franquia só é cobrada quando o segurado tem culpa no sinistro ou aciona a cobertura para reparo do próprio veículo. Um bom exercício antes de decidir é simular o quanto a diferença de prêmio entre as faixas representa ao longo de um ano, e comparar com o valor de franquia de cada uma.
O que não tem franquia no seguro auto
Um ponto que gera confusão é achar que toda cobertura do seguro auto envolve franquia. Não é verdade. Em geral, ficam de fora da cobrança de franquia:
- Indenização integral, como em casos de perda total do veículo, ou de roubo e furto sem recuperação dentro do prazo previsto na apólice. Como não há reparo a ser feito, não existe valor de franquia a descontar.
- Danos a terceiros (RCF), a cobertura de responsabilidade civil facultativa. Quem sofreu o dano, ou seja, o terceiro, recebe a indenização sem franquia envolvida nessa ponta.
- Assistência 24 horas, como guincho, troca de pneu e chaveiro, que em geral não têm franquia associada.
- Acidentes pessoais de passageiros (APP), cobertura complementar que indeniza morte ou invalidez de ocupantes do veículo, também costuma não ter franquia.
Essas condições variam de apólice para apólice, então a recomendação é sempre confirmar item por item na proposta antes de assinar, já que cada seguradora tem condições próprias.
Como a franquia aparece na apólice
Ao receber a proposta de seguro, vale conferir especificamente:
- O valor da franquia em reais para danos ao próprio veículo.
- Se existe franquia diferenciada para determinados tipos de sinistro, como vidros ou faróis.
- Se a franquia é fixa ou varia conforme a idade e o valor de mercado do veículo.
- O que a apólice classifica como perda total, já que esse limite determina quando a indenização integral substitui o reparo com franquia.
Como escolher a franquia certa para o seu perfil
A forma mais segura de decidir é comparar propostas completas, e não apenas o valor do prêmio. Uma cotação que parece mais barata pode ter uma franquia consideravelmente mais alta, e o contrário também acontece. Como cada seguradora tem sua própria política de franquia, o trabalho de comparar essas condições lado a lado, e não só o preço final, é o que costuma evitar decisão equivocada.
Fale com a Corsego antes de decidir
A escolha da franquia ideal depende do seu perfil de condução e do orçamento disponível para um eventual sinistro. Um corretor da Corsego pode apresentar as opções das seguradoras parceiras lado a lado, com o valor de franquia de cada proposta explicado com clareza, para que a decisão seja sua, com informação completa.